A Arte e a Indústria Cultural
O que é arte? Essa pergunta que a tempos carece de definição, por outro lado, tem uma função muito bem estabelecida: a crítica.
Através da pintura, escultura, cinema, teatro, dança, música, arquitetura, entre outros; a arte é a melhor maneira de o ser humano expressar a sua subjetividade perante ao mundo, estabelecer a sua diversidade e a sua maneira peculiar de interpretar seus próprios sentimentos e emoções, refletindo a sua própria história e a cultura em que está inserido; sendo assim, a arte é nada mais que um exercício inerente ao ser humano no esforço de materialização de algo que o inspira.
Popularmente dizem que funk não é música, normal, é uma opinião individual e até uma piada recontada; contudo, devemos nos lembrar que ele está inserido em uma cultura e tem uma história totalmente diferente que a nossa. Então, por mais a arte seja conflitante perante aos padrões culturais e até morais, a arte é arte simplesmente por gerar críticas, questionamentos e reflexões. Em suma, tudo o que entendemos também como entretenimento e diversão.
Quando esta é interpretada de forma massificada, adentramos no mérito do que chamamos de “teoria da bala mágica”. Chamado também de teoria hipodérmica por um de seus principais estudiosos, Harry Lasswell, devido ao seu principal aspecto metafórico de uma “seringa” que perfura nossa derme (pele). O modelo se sustenta no efeito midiático de uma mensagem que é transmitida e aceita igualmente por todos os seus receptores – a famosa alienação – provocando um efeito poderoso entre eles. Mesmo sendo considerada obsoleta entre os estudiosos das teorias da comunicação, como logo se nota, é utilizada até hoje como base para os estudos modernos.
O behaviorismo é a abordagem sistemática para a compreensão do comportamento do ser humano e animal, pois entende que todos os comportamentos são reflexos produzidos por uma resposta a certos estímulos do ambiente, sendo posto isto, a propaganda tem como base preponderante o uso dessa “bala mágica” que tem a função de estimular.
Nas duas grandes guerras, por exemplo, o desenvolvimento e uso da indústria cultural formada pelos rádios e do cinema foi preponderante em ambos os lados para o objetivo de mobilizações das nações ter sido alcançado, logo, tornando-se base do que conhecemos como autoritarismo. Portanto, em tempos que pós-verdades e notícias falsas, a tal “bala mágica” que nos estimula, em tempos de extrema velocidade na troca de informações, torna-se cada vez mais perigosa; e a única reação que temos em nossa defesa é intensificar a busca pela individualidade independente do que vemos e ouvimos ao nosso redor.
Aí voltamos a pergunta: o que é arte mesmo? Talvez precisemos de um pouco mais de arte e menos de indústria em nossas vidas.

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