Liberdade de Informação e empoderadamento das comunidades
Redação: André Prado
Por toda a história da humanidade, o ato de se comunicar sempre andou em paralelo com a verbalização das nossas vontades. E por mais que nada substitua a fala, o mundo de hoje de constantes transformações devido ao advento da internet e principalmente das redes sociais, que deu vozes a quem antes não podia falar, rompeu fronteiras de quem não podia se comunicar, criou redes a quem antes não podia se unir e aproximou pessoas de diferentes classes, culturas e regiões com pensamento em comum que nos meios tradicionais, muito provavelmente nunca iriam interagir.
Se antes tínhamos que esperar a informação vir de encontro a nós, hoje a tecnologia da informação cria uma realidade, que como Zygmunt Bauman diria: "líquida", em que nós buscamos, criamos e a interpretamos rapidamente.
Essa é a Cibercultura que vivenciamos, uma nomenclatura que ajuda a entender e definir a transformação do acesso à cultura na humanidade. Como um ponto que se liga ao outro através de seus hiperlinks que se espalham em cada artigo e publicação se inserindo em diversos âmbitos da sociedade unindo a informação com o conhecimento e a comunicação, atrelando-se com cultura e lazer, logo, capazes de modificar a nossa visão e compreensão que temos sobre o mundo físico que hoje necessita estar o tempo todo conectado com alguma outra coisa.
A construção de redes entre pessoas que unem interesses em favor de uma causa e/ou uma reivindicação é a base da comunicação popular, e apesar de ela nunca se deixar valer dos meios tradicionais (como faixas, cartazes, panfletos, jornais, poesias de cordel, etc.), é através da internet que ela se verdadeiramente se empodera; e através do Terceiro Setor, sem fins lucrativos e governamentais, que ganha uma voz cada vez mais ativa sendo capaz de ser uma organização independente, alternativa e participativa.
Graças ao advento do digital, isso sofreu uma grande revolução na forma de atuar até com as comunidades ao redor, dado a forma com que as pessoas se relacionam hoje ignorando fronteiras e tornando-se capazes de se unir para lutar contra certas desigualdades, mesmo que distantes uma das outras, numa única só voz ativa e reativa buscando uma mudança social em comum.
E o papel fundamental que a Cibercultura tem é de amplificar essa voz reivindicadora da comunidades que são capazes de se organizar naturalmente contra a cultura da desinformação provocada pelo Estado e pelo próprio sistema, uma comunicação horizontalizada de produção independente de conteúdo atuante das classes menos favorecidas que lutam constantemente pelo o livre acesso à informação nos tempos atuais, sobretudo devido a inclusão tecnológica se fazer tão necessária para a validação do sentimento humano de ser parte de um todo.
A presente intersecção entre a Cibercultura e a Comunicação Comunitária que potencializa o que conhecemos como "debate digital" e intensifica a formação ideológica e o exercício de democracia ao preencher esse vazio que o Estado deixa, tanto no incentivo à produção de livre cultura midiática (rádios e canais de YouTube, por exemplo), como no acesso à cultura e a formação educacional de jovens moradores e membros mais carentes das comunidades. Em suma, é a difusão da expressão cultural juntamente com os movimentos independentes e gratuitos que definem qualquer comunidade e dignificam ela perante ao que conhecemos como cidadania; a que não pode ser controlada pelo Estado e muito menos "criada" pela mídia, essa que acaba tornando o conhecimento e a expressão cultural um meio meramente comercial.
Sobre tudo isso, é importante pontar a participação do FemiSistahs nessa intersecção que citamos acima. Reiterando, o uso da tecnologia é um exercício de cidadania, e a possibilidade de se comunicar é ter uma voz. E na ausência do Estado vista diversas vezes, uma "voz" é o que coletivos e outros diversos projetos sociais necessitam para ter força para conectar quem necessita a quem quer ser atendido.
Na entrevista que a Mariana Mata (que você pode ler clicando neste link) deu para o K-maleão em Redes, a líder do coletivo FemiSistahs nos conta como foi criado o coletivo, os seus projetos principais e sua luta permanente pelos Direitos das Mulheres.

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