Ideias nunca podem ser apenas mercadorias
Desde o primeiro momento da vida somos bombardeados com decisões, e ao longo da vida, usamos as marcas para definir nossa personalidade e como nos mostramos ao mundo. Com isso surgem os questionamentos: Até que ponto as marcas podem se apoderar dos aspectos morais? Será que nós definimos as marcas, ou será que as marcas que definem a nós mesmos? No documentário Império das Marcas, vemos um ponto de vista crítico sobre essas questões.
Palavras chave: marcas - consumo - sociedadeO que é um Instagram além de um grande outdoor? No mundo das redes sociais, a frase atribuída ao economista Milton Friedman de que “não existe almoço grátis” é exercida plenamente.
É muito mais complicado pensar e tomar decisões em um mundo que bombardeia todos o tipos de informação a todo minuto, desde o primeiro segundo de nossas consciências – principalmente em um mundo tomado pelas telas.
As pessoas, principalmente os jovens da geração Y (nascidos nos anos 90), incorporam as marcas crendo na promessa de ter status, felicidade e conforto diante a um mundo tão conturbado. A marca torna-se uma espécie de tribo, e se compramos a sua ideia de mundo, significa que seu consumidor passa a pertencer a algo muito além do produto adquirido. Este produto passa a ser parte de um significado muito maior, para o consumidor significa um sentimento próprio de pertencimento.
Como a jornalista e ativista canadense Naomi Klein (foto abaixo) diz: “Todos nós fazemos parte da marca”. Elas nos dizem como agir, como pensar e até se devemos pensar ao construir narrativas que apelam aos nossos corações e mentes. São mitos, novos deuses que recriam significados.
A pessoa é ligada profundamente a esportes quando compra a Nike, é ligada a um estilo mais alternativo quando sai todo dia de uma Starbucks, prima por design, performance e exclusividade quando adquire um produto da Apple. O preço é subjetivo quando a marca vende um significado muito mais valioso.
Você torna-se estranho por não gostar de Coca-Cola, tem menor poder aquisitivo se não tiver um tênis da Nike, não preza por modernidade quando não tem um Apple. Quando chegamos ao ponto de preferir e defender tal marca em detrimento da outra, podemos sentir de verdade o poder dos novos deuses consumistas, especialmente a vulnerável juventude que ainda busca a própria singularidade.
Uma sociedade pautada pelo consumo significa um mundo de escolhas simples e as marcas trabalham justamente nessa direção, sendo provedoras da facilidade e da conveniência ao atender plenamente nossos desejos, tal como se ideias, valores e crenças pudessem ser adquiridas através de uma gôndola de supermercado - que é chamada de Facebook.
Curtimos páginas, seguimos marcas como se fossem pessoas. Famosos são marcas, palavras são produtos. Tornou-se prioritário vender o intangível sobre o tangível.
Contudo, não é prudente demonizar as marcas, pois um mundo sem marcas, é também um mundo antidemocrático e sem identidade. As marcas são necessárias para a livre competição, não só para sabermos do produto desde a sua procedência, mas sobretudo por serem algo a qual podemos confiar e propagar.
Mas neste mundo veloz e conectado, nós acabamos sendo as marcas. Nos tornamos o produto. Então cabe a cada um de nós não abrir mão da nossa individualidade ao questionar tudo o que está acontecendo ao redor. A liberdade depende da consciência para sobreviver.
E ideias, valores e crenças, nunca podem ser simples “mercadorias”.


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